segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CODEX 632 no cinema?

Foi com enorme agrado que acolhi hoje a informação de que o romance histórico «CODEX 632», pode vir a ser adaptado ao cinema norte-americano. Apresento um excerto desta notícia publicada no semanário Sol:
(…) «Ao abrigo do acordo, a empresa Gotham Group, com sede em Los Angeles (Califórnia), obteve os direitos de representação do livro, que será posto à venda nos EUA em 01 de Abril de 2008, disse hoje à agência Lusa fonte da Gradiva, actual editora do escritor e jornalista.»
O Gotham Group – que representa realizadores, produtores, argumentistas e escritores – trabalha com autores das principais editoras americanas e produtoras de cinema de Hollywood, designadamente a Paramount Pictures, a Twentieth Century Fox e a Universal Pictures, entre outras.
O ”CODEX 632” vai ser publicado nos Estados Unidos sob a chancela do William Murrow, uma das principais editoras da HarperCollins, e será posto à venda nas livrarias dos grupos Barnes&Noble e Borders, as duas principais cadeias livreiras dos Estados Unidos.» (…)
Parece que o grupo Gotham Group leu a crónica «Sugestões de romances históricos», publicada neste blogue no dia 27 de Novembro de 2007. Mais uma vez os meus sinceros parabéns ao José Rodrigues dos Santos.
Cum mercede labor gratior esse solet [Thesaurus] – Com gratificação, o trabalho costuma tornar-se mais agradável.

Chantagem na Câmara Municipal de Lisboa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, admite renunciar ao mandato caso não seja aprovado pelo PSD – que tem maioria absoluta – na Assembleia Municipal, um empréstimo no valor de 500 milhões de euros, advogando que «está em causa a sustentabilidade e a governabilidade da cidade de Lisboa».

Este empréstimo já foi votado e aprovado na Câmara Municipal, votaram a favor: o PS – António Costa –, o BE – José Sá Fernandes –, o PCP – Ruben Carvalho – e o movimento «Cidadãos de Lisboa» – Helena Roseta mas, para que o empréstimo se concretize é necessário que a proposta seja aprovada na Assembleia Municipal como anteriormente referi, e o PSD ameaça, ou melhor, pondera chumbá-la.

A que se destinam os 500 milhões de euros?

A drenagem do empréstimo a ser concedido pela Caixa Geral Depósitos será feito em duas tranches: a primeira tranche, de 360 milhões de euros é para o pagamento de dívidas de curto prazo; a segunda tranche, de 140 milhões de euros destina-se ao pagamento de dívidas em contencioso.

Os vereadores dos partidos da oposição – exceptuando António Costa e o PSD que na altura era poder – votaram todos a favor do empréstimo, mas são exactamente os mesmos que no primeiro trimestre de 2007 derrubaram Carmona Rodrigues, portanto, todos eles sabiam o status quo em que se encontrava o erário do Município. Mesmo assim, lançaram-se numa disputa desenfreada pelo pode nas últimas eleições a Lisboa, alegando que tinham ideias, competência e projectos para salvar a cidade, veja-se só! Nenhum dos candidatos referiu nessa ocasião que era necessário um empréstimo para o saneamento financeiro da autarquia, isto revela bem o «caciquismo» que há nos pequenos partidos e no poder local. Em Maio escrevi sobre a queda de Carmona Rodrigues o seguinte:

«(…) Sem maioria governativa, desprezado politicamente pelo seu próprio partido – PSD –, o exíguo poder de Carmona Rodrigues em Lisboa, ficou à mercê da gula da peçonhenta oposição, que rapidamente se esqueceram o propósito para que foram eleitos, sem respeito pelos interesses dos que lhes deputaram a confiança através do voto. (…)»

« (…) O mais curioso é que esta indigente oposição afirma que a gestão financeira de Carmona Rodrigues está a sucumbir – há quem diga, nalguns casos que já sucumbiu – o futuro de Lisboa, que a cidade está indubitavelmente condenada ao malogro como um projecto duma grande cidade europeia do novo milénio. No entanto, estes opróbrios actores encenam em palco as boas novas como se fossem o Messias incumbidos de salvar a cidade e os cidadãos de Lisboa. (…)»

Está na moda lançar todos os anátemas para cima de Pedro Santana Lopes, mas o imbróglio da Câmara de Lisboa não é do tempo do ex primeiro-ministro nem de Carmona Rodrigues, como referem alguns vereadores – sedentos de poder – e o próprio António Costa. Em 18 anos de governação da cidade de Lisboa, 13 foram do Partido Socialista – Jorge Sampaio, de 1989 a 1996; João Soares, de 1996 a 2002 – e 5 do Partido Social-democrata – Pedro Santana Lopes, de 2002 a 2004; Carmona Rodrigues, de 2004 a 2005; Pedro Santana Lopes, em 2005; e Carmona Rodrigues, de 2005 a 2007.

Obviamente que o buraco financeiro não é de agora, vem de há muito tempo atrás. Todos os dirigentes autárquicos que passaram por Lisboa, têm certamente as suas responsabilidades, não estou, nem é meu propósito isentar o partido A ou o partido B, mas também não devemos lançar as responsabilidades a quem nos interessa que as tenha. A introdução das novas tecnologias e dos sistemas informáticos na administração pública trouxe à luz do dia a contabilidade real do erário e das contas públicas e, identificar a culpa deste ou daquele, não resolve os problemas da cidade.

A gestão da coisa pública implica acima de tudo saber o objectivo ou a missão do que se pretende fazer, depois há que planear e organizar, para que o planeado seja executado há que dirigir e controlar. Estas aptidões que parecem à primeira vista simples e do senso comum não o são, aliás o segredo de bem gerir é precisamente emparelhar e coordenar estas aptidões umas às outras. A gestão da maior câmara do país não pode por isso, ser feita com medidas avulsas e irresponsáveis. Pedir um empréstimo de 500 milhões de euros para pagar dívidas! E depois? O que é que isso resolve? Quem vier atrás fecha a porta.

Penso que a ameaça de António Costa é pura chantagem e hipocrisia. Alguém acredita que a governabilidade da cidade de Lisboa depende deste empréstimo? Eu não acredito. Sou contra este empréstimo e, se realmente o António Costa não consegue ou, não tem capacidade para governar a Câmara de Lisboa então, deve mesmo ir-se embora. Assim qualquer um sabe governar, contraem-se empréstimos e distribui-se, o mal pelas aldeias, não se resolvem problema nenhum porque a divida continua a existir, apenas adiamos o problema e o pagamento para os vindouros.

É necessário saber com exactidão se as receitas são menores que os custos e, das duas uma: ou aumentam-se as receitas, ou diminuem-se os custos. Pode-se perfeitamente aumentar as receitas alienando património por exemplo e, simultaneamente diminuírem-se a despesa. É sabido que muitos dos serviços prestados à Câmara – e ao Estado em geral – estão brutalmente inflacionados, contratam-se serviços de outsourcing quando há funcionários a ocuparem os seus dias com o ócio. Uma boa gestão deve equilibrar a balança de pagamentos entre o deve e o haver, a cidade de Lisboa vale bem mais como querem fazer crer.

Há uma história muito conhecida que revela bem a desorientação, a falta de rumo e de projectos de António Costa e dos seus pares de coligação: quando a Alice no «país das Maravilhas», perdida na floresta, perguntou ao gato qual o melhor caminho para sair dali.

«Para onde queres ir?» – perguntou-lhe o gato.
«Para qualquer lugar» – retorquiu-lhe a Alice.
«Mas… para ir a qualquer lugar, qualquer caminho serve!» – exclamou o gato.

Priusquam promittas, deliberes, et, cum promiseris, facias – Antes de prometeres, pensa, e quando prometeres, cumpre.

Lisboa, 30 de Novembro de 2007

Sugestões de romances históricos

Normalmente não costumo recomendar livros, a não ser em duas circunstâncias: ou conheço muito bem os gostos da pessoa a quem recomendo ou, como é o caso, a superior qualidade literária e narrativa do livro em causa e, como estamos próximos da época do Natal, vem em boa ventura.
Somos invariavelmente invadidos semanalmente por inúmeras publicações de livros, em que muitos deles são de qualidade medíocre e, – infelizmente para quem gosta de ler – estes têm sido dos mais vendidos, não pela qualidade mas pela sua controvérsia, como é por exemplo o livro «Eu, Carolina», ou as bibliografias de alguns futebolistas.
Temos o mau hábito de abonar e laurear os autores de grandes obras postumamente. Provavelmente temos alguma dificuldade melindre de reconhecer os seus méritos em vida, talvez por serem nossos contemporâneos, quiçá por inveja, ou simplesmente por ignorância. Felizmente, nem é este o caso porque o autor a que me refiro tem tido – para meu deleite – bastante sucesso em todos os livros que tem publicado, significa isto que, também há portugueses que andam atentos aos bons livros. É com admiração que presto homenagem ao José Rodrigues dos Santos, autor de vários romances históricos como: «A Ilha das trevas» – uma história fantástica sobre a invasão da Indonésia em Timor, com a retirada dos portugueses após o 25 de Abril; «A filha do capitão» – um romance que invoca a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial; por último temos a trilogia das aventuras do Professor Tomás Noronha, através do «Sétimo Selo», «Fórmula de Deus», e o «CODEX 632», é este último que vou recomendar, por ser o primeiro da trilogia.

A palavra romance está conotada por muita gente como uma história de amor, uma novela, embora não corresponda à verdade, é uma ideia completamente errada. Estou convencido que se houvesse um inquérito aos homens portugueses com a pergunta: «Gosta de ler romances?» – a maioria responderia que não, mesmo que nunca tivessem lido nenhum e, provavelmente pensariam que a leitura de romances são «coisas» para as mulheres ou, um insulto à sua masculinidade. Um romance histórico é uma narrativa, um enredo que pode envolver uma relação amorosa ou não mas, acima de tudo, retrata uma época, um país uma realidade que é consubstanciada por uma história ficcionada, certamente o titulo desta crónica não será muito apelativo para os «machos», mas vamos ao que interessa.

As aventuras do personagem Professor Tomás Noronha faz-nos recordar um pouco a personagem mítica do Indiana Jones, sempre à procura de enigmas para decifrar ou, da personagem Robert Langdon do romance «Código da Vinci» do escritor Dan Brown, aliás, o «CODEX 632» – na minha opinião –, não fica a dever nada ao Best-seller de Dan Brown.
Após a exibição do filme baseado no romance do «Código da Vinci», as visitas ao Museu do Louvre aumentaram subitamente, pois, é um local enigmático e crucial em todo o desenvolvimento e desfecho da narrativa. Se o José Rodrigues dos Santos fosse norte-americano ou inglês, certamente já estariam alguns dos melhores cineastas – Ron Howard, James Cameron, Steven Spielberg, Robert Zemeckis, George Lucas, etc. – A fazerem a rodagem das aventuras do Professor Tomas Noronha e, não tenho dúvidas que muitos dos locais históricos invocados no enredo iriam despertar a atenção do grande público ou a aumentos muito significativos das suas visitas, não só em Portugal, mas também em Espanha, Brasil, Itália, Israel, etc.

Esta obra é ladeada de várias histórias entrelaçadas, umas fictícias outras reais como são os casos: da História de Jerusalém; do Convento de Cristo, do Mosteiro dos Jerónimos; da História dos Judeus na Península Ibérica; da Quinta da Regaleira (um local absolutamente mágico); parte da História dos Descobrimentos Portuguesa e Espanhóis; História da cabalística e do Alfabeto, e não só...

Presumivelmente alguns pensarão que estou a retumbar ou a amplificar a qualidade da Obra, mas não, é de facto um trabalho notável e de grandíssima qualidade. Penso mesmo, que daqui alguns anos algumas obras deste autor poderiam perfeitamente entrar no sistema de ensino liceal, substituindo alguns clássicos com modelos de escrita anacrónicos e, – na minha opinião – enfadonhos no conteúdo e que contribuem para o afastamento dos jovens da leitura portuguesa.

Obviamente que um trabalho desta dimensão qualitativa não se faz sozinho, para se ter uma ideia da sua complexidade, o autor teve a preciosa e impelida ajuda de várias personalidades proeminentes da cultura e, conhecimentos cientifico a nível global, como são os casos: João Paulo Oliveira e Costa – Professor de História dos Descobrimentos da Universidade Nova de Lisboa; Diogo Pires Aurélio – director da Biblioteca Nacional de Lisboa; Paola Caroli – directora do Archivio di Stato di Genova; Pedro Corrêa do Lago – presidente da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e um dos mais importantes coleccionadores mundiais de manuscritos autógrafos; António Gomes da Costa – presidente do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro: o embaixador António Tanger que abriu as portas ao autor (José Rodrigues dos Santos) do palácio São Clemente, no Rio de Janeiro; António da Graça (pai e filho) e Paulino Bastos – cicerones do Rio de Janeiro; Helena Cordeiro que permitiu ao autor uma nova visão sobre Jerusalém; o rabino Boaz Pash – o último cabalista de Lisboa; Roberto Bachmann – presidente da Associação Portuguesa de Estudos Judaicos; Alberto Sismondini, valioso auxiliar do dialecto genovês – professor italiano na Universidade de Coimbra; Doris Fabris-Bucheli – guia do Hotel da Lapa em Lisboa; João Cruz Alves e António Silvestre – guardiães dos portões que ocultam os mistérios da Quinta da Regaleira, em Sintra; Mário Oliveira e Conceição Trigo – médicos cardiologistas, do Hospital de Santa Marta, em Lisboa; Miguel Palha – médico e fundador da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21.

Para aguçar o apetite da leitura, partilho parte da minha correspondência com o José Rodrigues dos Santos, em Julho de 2007. O tema da correspondência versa sobre o primeiro livro das aventuras do Professor Tomás Noronha, o «CODEX 632», nomeadamente a parte da História dos Descobrimentos. Divulgo-a porque, a meu ver não desvenda o desfecho do enredo e não lesa o encanto da sua posterior leitura.

«Caro José Rodrigues dos Santos,
Antes de mais gostaria de felicitá-lo pelo magnífico romance CODEX 632, é absolutamente fantástico, muitíssimos parabéns. Sou um amante da história em geral, mas, da portuguesa em particular, apesar da minha área profissional não ter qualquer relação com o tema, pois, sou profissional em tecnologias de informação.
Como não sou nenhum especialista em história, gostaria de separar a ficção do real e, há situações que estão no CODEX 632 que não sei se são ficção ou reais. Por isso gostaria de colocar algumas questões:
  1. É verdade que Cristóvão Colombo estava implicado na trama do atentado contra o rei D. João II?
  2. É verdade que o rei D. João II já sabia da existência das Américas antes de Colombo?
  3. É verdade que o rei D. João II “ajudou” Colombo na descoberta do Mundo Novo, de forma a iludir os Reis Católicos (com o tratado de Tordesilhas) e deixar o caminho livre à coroa portuguesa para a exploração do caminho marítimo para a Índia pela costa africana?
  4. É verdade que o Colombo Genovês era um tecelão de seda sem instrução e que nunca escreveu em genovês?
  5. É verdade que muitos documentos portugueses foram levados para o Rio de Janeiro quando Portugal foi alvo das Invasões Francesas de Bonaparte, e que nunca mais regressaram a Portugal?
  6. É verdade que Colombo embarcou na sua primeira viagem no último dia de expulsão dos judeus em Espanha?
  7. No seu livro dá a entender que Rui de Pina entabulou contactos com os Reis Católicos para estabelecerem o Tratado de Tordesilhas, mas eu julgava que esse embaixador fosse Rui (ou Rodrigo) Sousa. Serão a mesma pessoa ou o que vem no CODEX 632 é ficção?
  8. Cuba do Alentejo tem alguma relação com a ilha de Cuba (será mesmo a terra de Colombo essa aldeia alentejana)?
  9. Acha que Cristóvão Colombo era português? Quem lê o seu livro fica convencido que sim. Será?
Uma vez mais os meus sinceros parabéns, vou começar a ler a nova aventura do Professor Tomás Noronha, ou seja, a “Fórmula de Deus”.
Com muita admiração e estima,
José Manuel Trindade Gomes»

A resposta do José Rodrigues dos Santos.

«Caro José Gomes, muito obrigado pelo seu amável e-mail.
Peço desculpa pelo atraso na minha resposta, atraso que se deveu ao facto de me ter encontrado de férias.
Ainda bem que gostou do romance. Quanto às suas perguntas, umas remetem para respostas não provadas mas possíveis/plausíveis/prováveis (pelos motivos explicados no romance); nestes casos escreverei "é uma hipótese". Outras remetem para factos inquestionáveis; nestes casos, responderei "é um facto":
  1. É verdade que Cristóvão Colombo estava implicado na trama do atentado contra o rei D. João II?
    R. É uma hipótese.
  2. É verdade que o rei D. João II já sabia da existência das Américas antes de Colombo?
    R. É uma hipótese.
  3. É verdade que o rei D. João II "ajudou" Colombo na descoberta do Mundo Novo, de forma a iludir os Reis Católicos (com o tratado de Tordesilhas) e deixar o caminho livre à coroa portuguesa para a exploração do caminho marítimo para a Índia pela costa africana?
    R. É uma hipótese.
  4. É verdade que o Colombo Genovês era um tecelão de seda sem instrução e que nunca escreveu em genovês?
    R. São dois factos. Colom escrevia apenas em castelhano aportuguesado ou em latim, nunca usando palavras italianas ou genovesas. Até nas cartas para genoveses escrevia em castelhano!
  5. É verdade que muitos documentos portugueses foram levados para o Rio de Janeiro quando Portugal foi alvo das Invasões Francesas de Bonaparte, e que nunca mais regressaram a Portugal?
    R. É um facto.
  6. É verdade que Colombo embarcou na sua primeira viagem no último dia de expulsão dos judeus em Espanha?
    R. É um facto.
  7. No seu livro dá a entender que Rui de Pina entabulou contactos com os Reis Católicos para estabelecerem o Tratado de Tordesilhas, mas eu julgava que esse embaixador fosse Rui (ou Rodrigo) Sousa. Serão a mesma pessoa ou o que vem no CODEX 632 é ficção?
    R. Ruy de Pina esteve nas negociações de Tordesilhas, mas julgo que não é Rodrigo de Sousa. D. João II não enviou apenas uma pessoa para negociar o tratado - enviou uma comitiva, na qual se incluía Ruy de Pina.
  8. Cuba do Alentejo tem alguma relação com a ilha de Cuba (será mesmo a terra de Colombo essa aldeia alentejana)?
    R. É uma hipótese.
  9. Acha que Cristóvão Colombo era português? Quem lê o seu livro fica convencido que sim. Será? R. É uma hipótese.
Um abraço do José Rodrigues dos Santos»

Hoc non est opus unius diei nec ludus parvulorum [Thomas] – Não é isto obra de um dia, nem brinquedo de crianças.

Lisboa, 23 de Novembro de 2007

O Milagre dos Pastorinhos & o Culto de Fátima

Advertência: quando criei este blogue, afirmei ser um espaço aberto, onde se pudesse escrever livremente sem quaisquer tipos de restrições, mas sempre, e acima de tudo, balizado dentro dos escrupulosos limites do respeito individual. Pois, por isso mesmo, dada a seriedade com que encaro os assuntos religiosos na sua sensibilidade e respeitando a crença e o credo de cada ser humano, faço o apelo a quem é crente, – principalmente devoto a Nossa Senhora de Fátima – que não leia este artigo, para evitar qualquer tipo de mágoa na sua sensibilidade espiritual.

Comemorou-se no dia 13 de Outubro de 2007, 90 anos da – suposta – aparição de Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos – Lúcia Jesus, Francisco Marto e Jacinta Marto. Estas comemorações têm estado absortas no controverso processo de canonização dos Videntes pelo Vaticano. A canonização é o processo de elevar os Videntes à condição de Santos – passo seguinte à beatificação de Francisco e Jacinta Marto, no dia 13 de Maio de 2000, por ocasião da 3ª visita de João Paulo II a Fátima –, reconhecidos pelo Vaticano e pela Igreja. A grande diferença da beatificação e a canonização é o local e o reconhecimento da veneração do culto público: enquanto no primeiro caso o culto público ao Beato apenas é permitido pela Igreja nos locais onde viveu; no segundo caso a veneração pública passa a ser Universal, podendo ser manifestado o culto ao Santo em qualquer parte do mundo, com o reconhecimento do Vaticano.

Mas fará algum sentido a manifestação da veneração pública do culto dos Videntes de Fátima, num outro local que não Fátima?
Talvez não faça! Seja como for o processo de canonização está a causar algum rubor na opinião pública em geral e dos crentes em particular. Surgiu na agência LUSA – um dos órgãos de comunicação mais isentos, sérios e objectivos na publicação dos acontecimentos – uma notícia publicada no dia 10 de Outubro de 2007, pelas 09:06 da manhã, que é um autêntico manancial de boçalidades, ridículas e estúpidas, que se eu fosse crente, no mínimo reflectiria sobre as mesmas. Mais à frente aprofundo o meu ponto de vista.

Agência LUSA:

«Fátima 90/Anos: Médicos do Vaticano insatisfeitos com milagre que sustenta canonização dos Pastorinhos (10-10-2007 às 09:06).
Os peritos médicos do Vaticano estão insatisfeitos com o alegado milagre que sustenta o processo de canonização dos Pastorinhos e vão pedir novos dados ou que seja instruída outra graça, disse fonte do processo à agência Lusa.
Os problemas de validação de alegado milagre que envolve os Pastorinhos Francisco e Jacinta Marto têm sido muitos e agora a hierarquia pondera estudar um novo caso para garantir o sucesso do processo de canonização.»
(SIC) – A insatisfação não deve ser exactamente a do milagre preconizado pelos Pastorinhos, mas antes a falta dele. Com a visível dificuldade do Vaticano em «provar» o alegado milagre, consideram a hipótese de atribuir uma outra «graça», para que os Pastorinhos sejam considerados Santos através da canonização – fantástico! Com o carecimento de sustentação de milagres passados, projectam-se milagres futuros.

«Nos últimos meses, os peritos médicos indicados pela comissão Pontifica para a Causa dos Santos têm pedido aos médicos indicados pela Diocese de Leiria/Fátima muitas informações sobre uma alegada cura miraculosa de diabetes.
A possibilidade de ser um tipo curável está a levar os médicos do Vaticano a duvidarem da origem divina da cura já que, para ser considerado um milagre, é necessário que a doença não tenha intervenção humana ou natural.» (SIC)
– Deduzo então que para o Vaticano, os avanços científicos na medicina são um embaraço para os «Milagres» – e são mesmo!

«A beatificação dos Pastorinhos foi sustentada num primeiro milagre, que envolveu uma mulher de Leiria, Maria Emília Santos, que voltou a andar alegadamente por intercessão dos dois videntes de Fátima.
Para a canonização, ou seja, para a Jacinta e Francisco – primos da Irmã Lúcia – possam ser considerados santos e motivo de devoção em toda a Igreja, é necessária uma segunda graça.»
(SIC) – Mas, como é que se sustenta um milagre? Um milagre é uma bênção Divina, ou é a falta de uma resposta racional e científica? E, porque razão se atribui os milagres aos pastorinhos e não a outra pessoa qualquer? Se eu fizer uma prece ao Marquês de Pombal e, se ela for concretizada, devo deduzir que o marquês de Pombal faz milagres?

«O processo de canonização foi aberto devido a um segundo milagre, alegadamente verificado durante a cerimónia de beatificação dos Pastorinhos, em Maio de 2000, e que envolvia uma criança doente com diabetes.
Na ocasião, a mãe, emigrante portuguesa na Suíça, segurou o filho enquanto assistia, pela televisão, às cerimónias da beatificação presididas por João Paulo II.»
(SIC) – Afinal, a tecnologia e a ciência são benignos para a religião! Se o Homem não tivesse inventado a televisão este milagre não teria acontecido, mas que absurdo tão néscio!

«D. António Marto, bispo de Leiria/Fátima, reconhece que "tem estado difícil" concluir o processo de canonização dos Pastorinhos devido às questões técnicas levantadas pelos médicos de Roma.
O facto de a diabetes ser uma doença congénita e de existirem casos de evolução favoráveis, mesmo sem intervenção de medicamentos, está a causar alguns problemas na avaliação do caso, disse fonte ligada ao processo.
"Enquanto não se provar a verdade cientificamente", o milagre não pode ser validado pela hierarquia, reconhece o bispo, que admite a possibilidade de a diocese ter de procurar outra graça e desistir deste caso.
"Pode acontecer, mas isso não me preocupa, porque a Providência Divina encarregar-se-á disso", justificou o prelado, considerando que para o povo os "pastorinhos já são santos".»
(SIC) – Então se os pastorinhos já são Santos, qual o motivo da obstinação para a sua canonização?

«Inicialmente, o processo de canonização estava a correr bem, como chegou a afirmar o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o cardeal português Saraiva Martins, mas o tipo de cura não é consensual entre os médicos, obrigando a várias perícias que podem levar a diocese a procurar outra graça para sustentar o pedido de elevação dos Pastorinhos aos altares.
Se os médicos concluírem que a cura não tem explicação cientifica o processo passa ao exame dos teólogos que irão avaliar se foi mesmo a intercessão dos Pastorinhos que permitiu a cura.»
(SIC) – Para concluir, os milagres têm a validação do contraditório racional através do método científico.
Todo o dédalo à volta dos pastorinhos de Fátima – e da religião em geral mas, vou aludir somente a Fátima –, germina de três conceitos que gostaria de reflectir um pouco: Milagre, Fé e Santos (divindade).

A é a lei, a crença religiosa, é uma convicção de cariz idiossincrático que diz respeito a cada ser humano. É dogmática, pois não necessita de qualquer tipo de confirmação exterior ao indivíduo para a sustentar e, é também uma relação puramente individual e manifesta-se do interior para o exterior. Sendo por isso, absurdas as tentativas da revalidação da Fé por acontecimentos corpóreos, quando ela pertence ao campo metafísico.

A definição de Milagre que vem no dicionário português é: «um evento sobrenatural, cuja origem não se pode explicar», logo, não se pode atribuir o acontecimento dum milagre a este ou àquele Santo. Como eu não acredito no «sobrenatural», para mim, um milagre não é mais do que a incapacidade do Homem em explicar e compreender o mundo que o rodeia.

Os Santos são pessoas que pela sua dedicação a Deus em vida, ou por algum outro acontecimento que os aproximou de Deus, foram salvas por Ele e, conquistam assim um carácter de Divindade e um lugar no céu – eu estou completamente perdido.

A minha dissertação do Silogismo Paradoxal dos Santos é um exercício de reflexão e racionalidade da impossibilidade da existência de qualquer Santo. Creio que a filantropia, o altruísmo e o apreço à humanidade são das mais nobres características e virtudes humanas mas, deificar (canonizar) pessoas com carácter sagrado penso que é desmesurado e imerecido no domínio da física e da metafísica. Baseei-me nestas duas premissas para produzir a tese do Silogismo Paradoxal dos Santos, em que «provo» a sua inexistência.

Primeira premissa, é desmesurada no campo da física porque: não há ninguém que não tenha defeitos; não há ninguém que não cometa erros (pecados); não há ninguém que seja perfeito; a perfeição não é uma condição humana, mas sim uma utopia transcendental que provém duma natureza radicalmente superior da qual o ser humano não faz parte. Assim sendo, não há nenhum ser humano que por maiores que sejam as suas virtudes seja revestido dum carácter sagrado. Logo, esta primeira premissa refuta o carácter Divindade e a legitimação da canonização de pessoas.

Segunda premissa, é injusto no domínio da metafísica a divinização de pessoas porque: para se chegar a Santo, é imperioso dedicar a vida a Deus, só assim se pode ser absolvido de todos os pecados (validando a primeira premissa). O caminho da dedicação da vida a Deus, realiza-se através da Fé. Ora, a Fé, é uma bênção concebida por Deus. Contudo, a Fé não atinge todos os seres humanos – eu por exemplo, não fui contemplado por essa graça divina. Mas, Deus é «Perfeito», então não pode ser a Fé o motor da dedicação e abstinência a Deus, porque a Fé não poderá vir de Deus mas da idiossincrasia de cada ser humano. A Fé não é emanada de Deus! Quero com isto dizer que a dedicação a Deus vem do âmago (produzido no interior para o exterior) de cada um, é gerado pelas pessoas, umas produzem-na e alimentam-na através do culto, outras não. Concluo então que não pode haver Santos canonizados pelo Homem (ser imperfeito), quando o instrumento (Fé) para se chegar a Deus (absolvição dos pecados terrenos) não é uma emanação de Deus, mas sim do Homem, logo não pode ser Divinizado.

Obviamente que esta tese que produzi sobre o Silogismo Paradoxal dos Santos, provavelmente é valorativa apenas para mim mas, foi a forma racional que arquitectei para fazer um Reductio ad absurdum – Redução ao absurdo, da canonização dos Pastorinhos de Fátima. Que quanto a mim, é uma idolatria, um culto pagão que não tem qualquer relação com o cristianismo, que é uma religião monoteísta e que adora Jesus Cristo.

No dia 13 de Outubro de 2007, comemoraram-se então, os 90 anos das aparições da Nossa Senhora Fátima aos pastorinhos. Quando estavam três crianças no campo a brincar, a Nossa Senhora Fátima decidiu aparece-lhes para transmitir uma mensagem ao mundo, que demorou 89 anos a ser revelada. Se essas aparições fossem nos dias de hoje, certamente a Nossa Senhora Fátima era acusada de exploração de trabalho infantil. Não tem pés nem cabeça as aparições acho mesmo um autêntico disparate e um absurdo dissonante.
Mas, podemos meditar um pouco o contexto histórico, social e económico da época:
  1. A proclamação da República Portuguesa foi no dia 5 de Outubro de 1910, portanto sete anos antes das aparições de Fátima e, teve enormes repercussões na relação do Estado e da Igreja;
  2. No dia 20 de Abril de 1911, foi publicada a «Lei de Separação da Igreja e do Estado em Portugal», promulgada pelos Ministros de todas as Repartições (Joaquim Teófilo Braga, António José de Almeida, Afonso Costa, José Relvas, António Xavier Correia Barreto, Amaro de Azevedo Gomes, Bernardino Machado, Manuel de Brito Camacho); consagrando assim, a laicização do Estado, reconhecendo a Igreja como uma instituição privada, sem qualquer apoio financeiro do Estado.
  3. A República Portuguesa foi bastante vigorosa na oposição à Igreja, proibiu as leituras pastorais dos Bispos, mesmo no interior das igrejas, posição que não foi aceite, tendo mesmo o Vaticano cortado relações com o Governo de Portugal;
  4. As convulsões socais em Portugal eram enormes, como atestam, os doze Governos e os cinco presidentes da Republica entre 1910 e 1917 (ano das aparições);
  5. A participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial – com enorme drenagem de mão-de-obra jovem para a guerra –, teve consequências trágicas na galopante escalada da inflação e, no fraco crescimento económico provocado pela falta de mão-de-obra;
  6. Portugal, perante esta conjuntura precisava mesmo era dum Milagre.

Não sei, se as aparições foram um logro ou, uma psicopatia colectiva, cada qual faça o seu próprio juízo.

A manifestação da Fé está no interior de cada um, não é necessário forjar «provas», assim como, a ausência de Fé. Todas as convicções têm de ser respeitadas. Esta crónica não pretende fazer o exercício da desacreditação da Fé mas, somente uma reflexão sobre os cânones doutrinários da Igreja e, dos folclores das aparições e milagres provados do Santo A ou B.

Se eu afirmar que o Santo António esteve comigo na passada semana no Parque das Nações, alguém acreditaria? Será verdade ou mentira? Obviamente que é mentira. Será que nós temos capacidades de conhecer o absoluto ou, apenas a nossa própria realidade sensível que não é a realidade Universal? Por exemplo, um daltónico não vê realidade como os outros, o que ele vê não é verdadeiro? Ou, será apenas para ele e não para os demais? Teremos nós que ver como ele?
Outro centro de polémica tem sido a inauguração da Nova Igreja da Santíssima Trindade, que custou cerca de 80 milhões de Euros (16 milhões de contos na moeda antiga). E depois? Qual é o problema do custo da Igreja? Não foi financiada pelo Estado. Não teve custos para os contribuintes. Foi paga exclusivamente pelo dinheiro dos fiéis. Não vejo motivo nenhum para levantar tanta celeuma à volta da Igreja, aliás, acho mesmo – sem ironia –, que é um bom investimento para a posteridade. São as obras e os saberes que o Homem lega às gerações vindouras.
Apesar de são ser religioso, sou um homem racionalista, agnóstico e ateu, aliás sou ateu, porque sou agnóstico – eu sei que é paradoxal e contraditório, mas faço a explanação noutra altura –, sinto uma enorme força poética, além do valor arquitectónico, por exemplo: no Mosteiro de Alcobaça ou, no Mosteiro da Batalha ou, nos Jerónimos, Mafra; enfim há tantos monumentos religiosos que são apreciados independentemente dos credos e crenças, portanto, acho aquela obra um factor afirmativo tanto para os fiéis com para outros – onde me incluo.

O Fenómeno de Fátima como mensagem de Paz, julgo que é positivo, para além de ser um local de peregrinação e turismo mundial, deve ser, e acima de tudo: um porto de abrigo introspectivo de cada ser; um local que revogue as fronteiras que separam os Homens; e onde cada um encontre o «seu» lugar.

Quod scripsi, scripsi - O que escrevi, escrevi.

Lisboa, 15 de Outubro de 2007

Plágio

Ultimamente têm sido veiculados alguns casos de plágio. Ao ler uma crónica do Miguel Sousa Tavares no sítio do jornal “Expresso”, houve um cibernauta que, aproveitou o espaço de comentário do artigo, para pedir explicações ao autor. Explicações sobre o eventual plágio do livro “Equador”.

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/113528

Por casualidade, é o livro que ando de momento a ler. Está muitíssimo bem escrito. Tem um bom argumento, é de leitura fácil e envolvente; tem uma boa história que retrata a escravatura nas colónias portuguesas e; romanceia as relações diplomáticas entre Portugal e Inglaterra nos inícios do século XX, com um enredo de amor pelo meio – um óptimo livro.

Miguel Sousa Tavares tem sido acossado no mundo da blogosfera, de ter plagiado parte do romance “Equador”, copiando na íntegra parágrafos inteiros do livro “Freedom at Midnight”, escrito por Dominique Lapierre e Larry Collins

http://antidireitaportuguesa.blogspot.com/2006/10/o-abominvel-livro-das-neves-e-o-caso.html

O autor pediu esclarecimentos ao provedor do jornal “Público”, para impugnar um artigo que foi escrito no dia 25 de Outubro de 2005, pelas jornalistas Joana Gorjão Henriques e Bárbara Reis, a delatar o plágio.

http://www.publico.clix.pt/homepage/provedor/04.ruiAraujo/textos/2006.11.19.AfraseAMais2.asp

Posso divergir de muitas opiniões do Miguel Sousa Tavares, até posso achá-lo por vezes pretensioso mas, tenho admiração por ele. É um intelectual castiço e, por inúmeras vezes discordar dos seus comentários na imprensa, falada, televisiva ou escrita, faz-me sempre pensa, observar o mundo de outro ângulo. A mim e a muitos portugueses, portanto, é com surpresa e incredulidade com que fui colhido com esta informação, não sei se é verdade ou não, mas…

Non omne quod licet honestum est [Paulo] – Nem tudo que é lícito é honesto.

À uns dias atrás, o presidente da Câmara de Gaia e, candidato à liderança do Partido Social Democrata – PSD –, Luís Filipe Menezes, foi flagrantemente “apanhado” a plagiar um artigo sobre o aniversário do lançamento da bomba da Hiroshima. E, um outro artigo sobre o centenário do nascimento do escritor português Miguel Torga – este foi o que deu mais brado –, no sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_torga.

A justificação dada pelo autarca, uma figura pública, candidato ao maior partido político da oposição, tem tanto de inverosímil, com tem de ridícula. À falta de argumentos, justificou-se que o blogue era pessoal, não tinha por isso, qualquer relação com o blogue de candidatura à presidência do PSD – não fosse o Marques Mendes tirar proveitos políticos e, acusá-lo de «falta de carácter», como fez com José Sócrates. Mas, as boçalidades não se ficam por aqui, não! Nas declarações que Luís Filipe Menezes proferiu na imprensa, disse não ter conhecimento dos artigos plagiados que estavam publicados no “seu” blogue “pessoal”. Ao que parece quem os publicou foi o seu assessor, que por coincidência estava ausente do país, que trapalhada ó Menezes!

Mas, assessor de quê? Pessoal? Pago por quem? Pela Câmara de Gaia ou pelo PSD?

Ó assessor, tu és malvado! Isso não se faz! É muito feio plagiar e, mais ainda no blogue dos outros. Para a próxima tens de ter mais cuidado, porque o dono do blogue não sabe os artigos que publicas.

Sine verecundia nihil potest esse rectum, nihil honestum [Cícero] – Sem o pudor, não pode haver nada honesto, nada digno.

Lisboa, 12 de Setembro de 2007

Efeméride

Uma efeméride traz-nos à memória um acontecimento proeminente do passado: morte ou nascimento duma personalidade pública; morte ou nascimento de alguém que nos é próximo; uma descoberta científica; alterações políticas; guerras, batalhas, revoltas, genocídios, catástrofes naturais, etc. Eventos que definam ou redefinam novos rumos dum povo, duma sociedade ou da Humanidade; ou algum outro acontecimento que pelo seu impacto, pela sua importância nos merece ser recordado.

Faz hoje, – 11 de Setembro de 2007 – precisamente 6 anos, que ocorreram os abjectos, ignominiáveis e pusilânimes atentados aos Estados Unidos da América, no World Trade Center e no Pentágono, supostamente executados pela organização terrorista Al Quaeda, liderada pelo Osama Bin Laden, e que são de todo reprováveis e ascorosos.

Julgo que os atentados chocaram o mundo por três motivos:
  1. A narrativa dos acontecimentos foi visualizada em directo e, no próprio local - In loco. Dando por isso, uma dimensão planetária da hecatombe.
  2. A incapacidade do país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos América, em travar um ataque terrorista, urdido dentro do seu próprio país, debaixo das suas barbas.
  3. Um sentimento de medo e insegurança, que pulverizou todo o mundo Ocidental, assim como, o alerta mundial para uma nova vaga de terrorismo.

Hoje de manhã, a caminho do local de trabalho, ouvi algumas rádios e, naturalmente, a abertura dos noticiários aludiu à efeméride dos atentados do dia 11 de Setembro de 2001. E, com toda a justiça, porque a tétrica efeméride, não deve ser esquecida mas antes lembrada.

O alemão Karl Marx teorizava no opúsculo do “Manifesto Comunista”, que a história da Humanidade era a luta de classes: " (...) A história de toda a sociedade até hoje é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burguês da corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travaram uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, aberta, outras, uma luta que acabou sempre com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em luta."
Será mesmo assim?

Penso que não. Mas, quem escreveu muito bem sobre Karl Marx, foi Heiner Muller que considera o seguinte: “Na União Soviética e na República Democrata Alemã, empreendeu-se uma tentativa em larga escala para refutar Marx. A tentativa fracassou".
E, a luta de religiões, não será outro dos motores da história da Humanidade?

Na minha opinião sim. Afinal, o que foram as invasões islâmicas na Península Ibérica?
O que foram as guerras, invocadas pelos Prelados contra o islamismo?
O que foi o grande desígnio dos descobrimentos senão a expansão da cristandade?

A História das sociedades não se confeccionam apenas de vitórias, de actos heróicos, de vernáculos ilustres, também são feitas de derrotas, de barbaridades, atrocidades contra o Homem. Os acontecimentos que modelam a História, que vincam a memória da Humanidade, dum país, não devem ser proscritos. Devem antes ser assinalados. Em Portugal não temos esse hábito, assinalamos os feitos gloriosos e os outros depositamo-los no obscurantismo.
No dia 19 de Abril de 2006, para espanto meu, assisti ao total desdém dos meios de informação nacionais, sobre o que se passara há precisamente quinhentos anos, cinco séculos. Ao contrário, por exemplo, em 1998, comemorou-se com grande solenidade os quinhentos anos da viagem de Vasco da Gama à Índia e, com todo o mérito.

Em Portugal, no dia 19 de Abril de 1506, foram violados, torturados chacinados aproximadamente três mil judeus em Lisboa, no reinado de D. Manuel I. Foram massacrados, porque professavam outra religião e, os que não morreram foram convertidos à força ao cristianismo, com a denominação de cristão-novo. O único monarca em todo o mundo que tem um estilo arquitectónico associado ao seu nome, o “manuelino”, que ficou conhecido pelo epíteto do “Venturoso”, é o mesmo que perpetrou tão ignóbil genocídio.

Lisboa, 11 de Setembro de 2007

Caso Madeleine McCann

O desaparecimento da menina Madeleine McCann tem causado rumor em todo o planeta e, nos últimos dias tem dominado a agenda noticiosa dos principais órgãos de informação. Acossarem a aldeia da Luz tem sido excessivamente confrangedor para mim, pois conheço esta aldeia há quase três décadas e não esqueço os bons momentos que ali passei e, foram momentos de grande placidez. Nunca o Algarve foi tão mal referenciado no mundo como agora. Parece que o Algarve se tornou nalguma coutada do Osama Bin Laden.

A menina Madeleine McCann, de 4 anos de idade, desapareceu no dia 03 de Maio de 2007, num quarto, de um aldeamento na aldeia da Luz. Presumivelmente encontrava-se a dormir na companhia, do irmão e da irmã de 2 anos, enquanto os pais, se divertiam durante um jantar a emborcar 14 garrafas de vinho, na companhia dos amigos!

Escreveram, disseram, opinaram alguns. Supuseram, acusaram, insinuaram, compararam, outros. Enfim, este caso tem sido mais do que esventrado na opinião pública. Mesmo assim, hoje segunda-feira 10 de Setembro de 2007, regressa à RTP o programa “Prós & Contras”, com o tema “O Mistério Maddie”, moderado pela Fátima Campos Ferreira.

Comummente não me parece verosímil, que um casal desnorteado pelo desaparecimento duma filha consiga mediatizar este caso em dois ou três dias. Nem mesmo a justificação de serem britânicos e, como tal, reagirem com maior frieza e calculismo perante situações de desespero. Ora, somos todos feitos da mesma massa, uma filha é uma filha. Após o trágico desaparecimento de Maddie, houve outros casos de crianças desaparecidas, mas não tiveram o eco que este teve. Por exemplo na Áustria, também desapareceu uma menina e, foi notícia apenas dois dias, pois nunca mais se soube nada.

O que torna o “Caso Madeleine McCann” tão inaudito e tão mediático?

É necessária uma estrutura forte de marketing, de imagem e meios diplomáticos para atrair tão obstinadamente os principais meios de informação, e colocarem este caso na opinião pública mundial. Não é qualquer pessoa – rico ou pobre – que consegue uma audiência com o Papa. Não se alça uma fundação, um site diário na Internet e angariação de fundos em menos de uma semana. Não se consegue recolher mais de três milhões de euros em três semanas, apelando à comiseração de uns pais destroçados com a irreparável perda de uma filha. A escolha do retrato da menina Madeleine McCann, não foi uma casualidade. É uma fotografia com trejeito extremamente expressivo, que não passa despercebido aos olhos dos que a contemplam. O olhar da menina penetra no olhar de quem observa o retrato há uma empatia muito forte entre a opinião pública e a Madeleine. Isto é o que torna o “Caso Madeleine McCann” tão inaudito e tão mediático.

O que alimenta este caso?

O negócio. Este caso é alimentado pelo negócio dos Media. Quem sustenta a mediatização não tem interesse na resolução deste caso, não tem qualquer atenção pela menina desaparecida. Pelo contrário ceva novos dados, forja provas e fontes de informação, fomenta discórdias entre polícias portugueses e britânicos, arquitecta novos engodos, para impedirem que as investigações decorram o seu processo natural. Os Media inflamam tudo e todos para manterem acesa a discussão pública do “Caso Madeleine McCann”.
Ao contrário do que muitos comentadores têm vindo a dizer, penso que a Polícia Judiciária tem agido de forma diligente. Não confirma nem desmente o que vem difundido nos Media e, penso que deve ser assim. Pois, assegura uma investigação imune à pressão. Há uma investigação, porque há pelo menos um crime, se há um crime, também tem de haver pelo menos um criminoso, se há um ou mais criminosos, têm de ser identificados, acusados e julgados.

Crimina saepe luunt nati scelerata parentum – Muitas vezes os filhos expiam os crimes dos pais.

Lisboa, 10 de Setembro de 2007

Divórcio entre Cavaco e Sócrates

Habitualmente no desfecho de cada ano, a comunicação social em geral, apresenta uma retrospectiva dos acontecimentos mais relevantes, dos factos que mais influenciaram e vincaram a sociedade portuguesa e, cogitam o ano que se avizinha, é sempre assim, ano após ano. A agenda política no final do pretérito ano de 2006 foi, assinalada pelo “casamento” e o estado de “lua-de-mel” entre o primeiro-ministro José Sócrates e o Presidente da República Cavaco Silva. Os analistas, os comentadores, a oposição andavam muito turbulentos com a cumplicidade entre eles, segundo se dizia – os mais radicais –, Cavaco Silva era quem chefiava o país, era ele quem dava as ordens ao governo, faziam a parelha perfeita e, indubitavelmente punha em causa o próprio regime. A democracia corria perigo, apesar de todos saberem que o Presidente não governa.

Nas rádios, nas televisões, nos jornais, alguns intelectuais como por exemplo o Miguel Sousa Tavares, António Vitorino, até mesmo o Marcelo Rebelo de Sousa no programa “As Escolhas de Marcelo” na RTP 1, todos eram concordes com a aquiescência do Presidente da República em relação ao governo. A unanimidade era tão colossal que numa sexta-feira, estava eu a caminho do Porto, quando no programa “Contraditório” da Antena 1, produzido pelo António Luís Marinho – Director de programas da RTP –, com os ilustres convidados Carlos Magno, Luís Delgado e Ana Sá Lopes, estavam todos em convénio: “…é preocupante a relação de Cavaco com Sócrates…”; “…Cavaco abafa a oposição…”; “… Cavaco apoia incondicionalmente as políticas do governo…”. Durante a viagem, não concordei com quase nada do que foi dito achava mesmo um autentico absurdo. Após vários dias a ouvir mais do mesmo, comecei a reflectir sobre esta matéria e, foi com alguma concussão que vi tão amplo consenso na sociedade portuguesa, mas a interrogação que me seduziu foi, porquê? E, Cheguei a duas conclusões: a primeira é que um rumor incomensuravelmente repetido pode tornar-se “verdadeiro”, como um facto adquirido, não dando ensejo à reflexão. Ninguém chega a grande sem ser abocanhado pela pequenez, infelizmente em Portugal ainda se fomenta o culto da mentira e do rumor. Esta postura tem sido ao longo dos anos nefasta para a política e para os políticos, tem arredado a sociedade civil da política e, sejam bons ou maus, os políticos não se livram do epíteto de “Ladrões, Mentirosos, Gatunos, Aldrabões, etc.”; a segunda conclusão que cheguei é que, quando se tem uma maioria absoluta no parlamento – caso do PS –, a amotinação da oposição é mais colérica. Disparam em todos os sentidos e, nem o Presidente da República escapa à exaltação da oposição, assim como alguma opinião pública. Os partidos com excepção do governo obviamente, sentem-se impotentes e despeitados. Os seus votos não determinam a aprovação dos diplomas na Assembleia da República e, não podem “contar” com o apoio de Cavaco Silva para impedir a prossecução da política do governo, pois o Presidente tem promulgado os diplomas. A contestação é transversal às várias ideologias. Abarca o espectro político mais à esquerda até ao CDS/PP e mesmo alguns militantes e dissidentes do PS, bastante fraccionado, como provaram a divisão de votos entre Mário Soares e Manuel Alegre nas últimas presidenciais.

A exiguidade da oposição é muito inquietante para o país. É fundamental para o nosso regime, uma Republica semi presidencialista, haver uma oposição forte, e acima de tudo credível. Não basta atacar quem está no poder quando não se tem argumentos de alternativa política, os partidos têm de renovar os seus programas de acordo com as mudanças do mundo global e real. É premente haver alternativas ao governo, pessoas com ideias, gente competente, políticos congruentes. É imprescindível uma remodelação nos quadros mentais do país em geral e na política em particular. Foi então que surgiu outra questão que me seduziu ainda mais, porquê este comportamento? O que levam os partidos e alguns líderes políticos a reagirem de forma tão indecorosa? Para dar resposta a estas questões recuei algumas décadas no tempo.

Ao longo de mais de quatro décadas os portugueses foram despojados da liberdade de expressão. Foram privados no acesso ao saber – excepção feita aos meios intelectuais, universitários e os que emigraram, todos os outros hibernaram num profundo obscurantismo. Mas, Portugal não sofreu apenas a opressão do regime autoritário de António de Oliveira Salazar e de Marcello Caetano, não! Sofreu também, uma forte influência ideológica do Partido Comunista chefiado por Álvaro Cunhal.

Durante muitos anos a única oposição ao regime foram os comunistas, cognominando-se como “O Partido” da vanguarda ideológica. Os iluminados que profetizavam a libertação do povo sob o jugo autoritário do regime, através da insurreição armada. Incentivando a revolta dos operários e camponeses para a implementação da “Ditadura do Proletariado”. No início dos anos 60, quando eclodiu a guerra colonial, a oposição à chefia do país intensificou-se e radicalizou-se, mas ao contrário do que se pensava, para desilusão de muitos mentores da esquerda radical e de Álvaro Cunhal, o comunismo – para bem de todos nós – não era, não foi alternativa ao regime de Marcello Caetano. Mas herdámos dos comunistas muitos quadros políticos, militares, gestores, com esses ideais enraizados.

Antes da Revolução dos Cravos, quem não fosse comunista, era certamente fascista, bipolarizou-se e radicalizou-se a política. A Revolução dos Cravos baniu inexoravelmente o regime autoritário de Marcello Caetano, mas não impediu uma ameaça doutra ditadura, desta vez de esquerda. Portugal exorcizou uma ditadura de direita para cobiça duma ditadura de esquerda. Abrindo assim, caminho ao Déjà vu da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia encabeçada por Vladímir Ilitch Lenin. Álvaro Cunhal tentou reescrever a história da Rússia em Portugal.

A 25 Abril 1975, Mário Soares e Francisco Sá Carneiro derrotaram o Partido Comunista nas urnas para a assembleia constituinte e, Ramalho Eanes impediu a insurreição armada comunista a 25 Novembro do mesmo ano, pondo fim à ameaça de ditadura de esquerda. Implementou-se definitivamente uma democracia pluri – partidária mas, exageradamente maniqueísta na forma de fazer politica até à actualidade.

Já passaram 30 anos sobre todos estes acontecimentos, ocorreram inúmeras alterações no mundo, as democracias – com defeitos e virtudes – consolidaram-se, a Queda do Muro de Berlim definhou irremediavelmente o comunismo, porque é um regime que não serve de paradigma de desenvolvimento das sociedades modernas, não serve a individualidade / liberdade de cada ser humano. O nosso regime alinhou-se incontestavelmente ao centro, apesar de a esquerda persistir em proclamar os centristas, de direita com estigmas fascistas. A esquerda mais radical têm de alinhar as suas políticas de acordo com o mundo moderno, isto se ainda almejarem participar no desenvolvimento do país e contribuírem na credibilidade da política, mas têm imperiosamente de encarar com seriedade e responsabilidade as novas realidades e, de facto há alguma esquerda que paulatinamente está a mudar.

Hoje, podemos falar em dois PS, um de linha mais conservadora ou radical, mais à esquerda e outro alinhado ao centro, que é precisamente onde se alinha o governo. Percebe-se portanto que Cavaco Silva e José Sócrates movimentam-se no mesmo espaço político, sim é verdade, mas com diferenças obviamente. E qual é o problema? Alguém se questionou quando, Jorge Sampaio era presidente da república e António Guterres o primeiro – ministro? Não. Ninguém se preocupou.

A imaginação de “casamento” de Cavaco com Sócrates revela dois temores. Ou o actual Presidente da Republica é de direita, e se assim for, pode exercer o seu poder como contra – poder em relação ao actual governo, como fez Mário Soares. Ou é do centro e conivente com as actuais políticas do governo. Mas, não podemos ser uma coisa e ao mesmo tempo o seu contrário, pois não?

É obvio que as convicções de Cavaco estão alinhadas ao centro, assim como é evidente que Sócrates está a descolar-se da esquerda conservadora para o centro. Mas desenganem-se aqueles que julgam que estas afinidades resultam em “casamento” assim como as divergências possam resultar em “divórcio”. Cavaco está a exercer o cargo de Presidente da República como deve ser exercido, e como nunca ninguém o exerceu, sem alinhamento partidário. Apoia o governo naquilo que é conveniente para o desenvolvimento do país, assim como, rejeita as propostas que no seu entender não satisfaçam os interesses da nação, afinal o Presidente é ou não o árbitro do nosso sistema político?

Não se admirem que antes do final do ano corrente figure nalgum título de jornal ou de uma crónica “Cavaco e Sócrates de costas voltadas” ou “Divórcio entre Cavaco e Sócrates”. Isto porque, no mês de Agosto Cavaco não promulgou três diplomas aprovados na Assembleia da Republica e, sabemos lá quantos mais vai ele recusar? Não deve contribuir nada para o “casamento”.

Columna regni sapientia [Divisa] – O suporte do governo é a sabedoria.

Lisboa, 04 de Setembro de 2007

domingo, 19 de outubro de 2008

Premonição de um sonho

Já passavam das 22:40 h. Sai de casa alvoraçado, o mais rapidamente que pude, nem deu tempo para pensar em mais nada – “depois falo com a Paula, ligo-lhe para o telemóvel durante o caminho e conto-lhe o que se passou.” – Meditava eu enquanto procurava avidamente as chaves do carro, a carteira e o telemóvel. Fiz-me à estrada, apesar da chuva macia e manhosa, a noite estava quente e húmida, o ar contaminado por uma fragrância intensa da terra molhada e o aroma do manto verde do eucaliptal a demarcar a minha casa do IC19. O alcatrão estava lúbrico, próprio das chuvas de Verão, assim que cheguei à IC19 senti a traseira do carro fugir, congelei por breves momentos. “Calma. É melhor ir mais devagar senão ainda tenho um acidente.”
§

Todos nós sonhamos, e ouvi infinitas vezes dizer que sonhamos todos os dias, mas acontece geralmente que a maioria dos sonhos ficam aferrolhados no nosso inconsciente, não temos por isso a informação de que os sonhámos, não nos lembramos e, não temos a percepção da frequência com que sonhamos – quisera eu não ter consciência deste.
Há uns dias atrás tive um sonho inolvidável, ou melhor um pesadelo, em que assisti à terrífica morte do Alemão, grande amigo meu – Alemão é alcunha por ter vivido na Alemanha e os pais serem emigrantes desse país. Este sonho foi daqueles que afigurou-se me tão real, que nos dias posteriores ainda visualizava a silhueta do momento fatídico, com uma nitidez e verosimilhança incomensuráveis que me amolava. Mas, que poderia eu fazer? Não contei este sonho a ninguém com excepção da Paula, a minha mulher, pois senti necessidade de partilhar esta aberrante “fatalidade”, sentia-me importunado e por vezes afectado com um pequeno desassossego por estar na posse desta quimera, a minha mulher disse com o ar mais angelical e natural do mundo:
- “Isso é bom! Sonhar com a morte de alguém é muito bom! É sinal de vida.” – Que alívio – pensei eu. Uma curiosidade, no preciso momento em que acabei de escrever a frase «sonhar com a morte de alguém é bom», acabou de cair com estrondo ao chão um objecto no escritório, pois estou a escrever estas linhas na sala. Fui verificar e tombaram no escritório uns DVD, precisamente do Alemão que repousavam há mais de uma semana em cima dum aparelho de ginástica. Mas, voltando ao sonho relembro apenas a parte final, pelo que não posso historiar o fio condutor do “enredo”:
Estava eu, o Alemão e mais duas pessoas, que não consegui saber ao certo quem seriam – talvez fossem o Ricardo Velosa e o Hugo Reis. Estávamos no cimo de um edifício bastante alto, talvez um hotel. Em baixo havia três piscinas, daquelas que se vêem nos panfletos de férias dos hotéis ou aparthotéis. Como referi anteriormente estávamos no cume dum edifício e havia uma protuberância de betão, espécie de “prancha” com talvez uns 50 cm de largura e uns 2 m de comprimento junto ao muro limite do terraço do edifício, até que tive a brilhante ideia de lançar um desafio aos meus amigos presentes.
- “Pessoal, quem tem a coragem de saltar para a piscina aqui de cima? Vamos voar pessoal?”
- “Eu alinho” – disse imediatamente o Alemão de forma instintiva.
Os restantes ficaram com a respiração suspensa durante uns momentos, inertes de semblante taciturno diante da decisão afoita do Alemão, e eu não fiquei indiferente a essa letargia, à preocupação que manifestaram num silêncio calmo como a noite, depois de olhar com mais atenção a altura que estávamos das piscinas achei que o desafio por mim lançado para o “voo” teria sido demasiado precipitado e irresponsável.
- “Ó Alemão, estás mesmo com vontade! Queres ir mesmo avante com isto?” – Disse eu na tentativa que ele mostrasse algum receio, alguma dúvida, alguma hesitação, para que pudéssemos cessar este disparate.
- “Claro que sim. Mais que nunca… Vá vamos, estou mais que pronto!” – Asseverou com ar seguro e determinado redobrando o desafio a todos os que ali se encontravam, gerava-se assim o efeito de “bola de neve”, desafio atrás de desafio. Percebi que não havia volta a dar (no sonho), o Alemão nunca recuaria por livre diligência.
§
Estava mais calmo, mais sereno, depois de refeito do susto daquela entrada aparatosa no IC19, mas teria de ter cuidados redobrados na estrada, pois o piso estava bastante perigoso. De caminho liguei à Paula e contei-lhe o que se passara, ficou em estado de “choque”, e preocupadíssima como é natural nestas ocasiões. No final da conversa, que foi breve pois eu ia a conduzir, pediu-me impetuosamente para ir com muito cuidado, porque o trânsito nas imediações de Lisboa estava delicado, apesar do avançar da hora. Ainda liguei para o Pereira duas ou três vezes mas não atendeu o telemóvel. Saí do IC19 e desci os Cabos D´Ávila, mais à frente virei para a auto-estrada A5 no sentido Cascais – Lisboa, saí em direcção ao Monsanto, atravessei o viaduto e entrei novamente na A5, agora no sentido Lisboa – Cascais. Após uns breves instantes percebi que me enganara no caminho, marquei o número no telemóvel e liguei:
- “Estou? Olha onde é que isso fica? Ah! Certo, não estou longe, num instante chego aí.” – Afinal enganara-me mesmo no caminho. Não faz mal, à primeira oportunidade apanho novamente o sentido Cascais – Lisboa na A5 e vou em direcção às Amoreiras. Subi novamente o Monsanto e na descida antes da bifurcação que divide os caminhos entre a Ponte 25 Abril / Av. Ceuta / Praça de Espanha e o viaduto Duarte Pacheco…
§
Como estávamos a grande altitude, espaçadamente havia algumas lufadas de vento, não eram lufadas fortes, porque o vento era mole e tépido, característico das noites quentes de verão. Lá em baixo avistávamos as piscinas com uma cor cerúlea do luzir dos projectores aquáticos e o reflexo da lua na água calma e serena ladeadas por grandes palmeiras verdes. Os olhares penetravam tímidos nos olhos uns dos outros, talvez à procura de um consentimento, de uma cumplicidade talvez para nos certificar que estaríamos todos juntos nesta aventura, ou então pelo contrário, procurávamos a serenidade e responsabilidade de alguém que colocasse um ponto final nesta loucura.
O Alemão num impulso intrépido e decidido saltou para cima da protuberância de betão e à medida que avançava pé ante pé, a bafagem do vento lambia-lhe o rosto como se crescesse a água na boca, se aguçasse o apetite voraz da gula do diabo e à medida que avançava o medo sucumbia-lhe a coragem e a vontade de voltar atrás aumentava, mas talvez pelo orgulho avançava no sentido oposto à sua vontade, foi quando eu subi para o inicio da “prancha” e disse-lhe:
- “Alemão. Não sejas parvo volta para trás! Isto é uma loucura, uma parvoíce! Não faças isso!”
Fitou-me com uma expressão lânguida, temerosa e arrependia de estar naquela posição aflitiva, e quando decidiu recuar, ao virar-se escorregou, mesmo assim num reflexo ávido conseguiu com as mãos agarrar-se à protuberância e ficou com o corpo pendurado. As rajadas de vento nesta altura eram cada vez menos espaçadas no tempo e mais fortes no sopro. Prontamente dei um salto para cima da protuberância e fiquei deitado para segurá-lo e trazê-lo de volta, tudo isto passou-se em breves segundos. Por baixo estavam as piscinas reluzentes que repousavam no sono profundo da noite, a insolência do diabo não chegava lá em baixo, as palmeiras flanqueantes dormiam tranquilamente sem que o vento as incomodasse. As forças iam-se esgueirando num ritual gustativo, fez-se silêncio, e de repente num esforço débil o Alemão ainda vociferou.
- “Deixa estar Zé não te preocupes. As piscinas estão mesmo por baixo de nós, se eu largar as mãos caio na piscina, não há azar.”
Mas, não era verdade que as piscinas estavam mesmo por baixo de nós, estavam sim uns metros mais à frente. E com um trejeito ilustre do seu próprio temor, com um esgar de vitória ao desafio, largou as mãos presas à vida para lançar o corpo à morte. No preciso momento que largou as mãos um inexorável sopro de vento alterou-lhe a rota da queda e, ainda no início do movimento da queda ainda a poucos metros olhou-me com os olhos rasos de água num último adeus, num último lamento pois sabia que nunca mais iria estar connosco, com os amigos, com a família. Era o último adeus, um movimento silencioso e lúgubre, de um corpo de uma alma de uma parte de todos nós que ali estavam para o encontro final com as mandíbulas famintas e sedentas do diabo, era uma viagem sem regresso para a última morada. Foi com a imagem da dança do corpo leve a ziguezaguear no ar que entretanto acordei. Acordei sobressaltado e, quando caí em mim matutei:
- “Foi um sonho?! Que estupidez! que merda de sonho! Huff!” – Mas, por outro lado foi um alívio, um conforto, um sonho ter acordado daquele pesadelo, pela intensidade com que o vivi, naturalmente senti-me incomodado, mas não foi real, tudo não passou de ficção, regressei duma viagem remota no tempo e no espaço.
§
Na quinta-feira dia 14/06/2007 fui almoçar com o Alemão. Fomos ao centro comercial Vasco da Gama ao restaurante da Portugália, comemos um bife da casa e, durante a refeição falámos essencialmente sobre a viagem de férias duma semana a Salou – perto de Barcelona – que ele ia fazer com o Pedro e o Pereira (My Brother) no próximo sábado. Ele estava entusiasmado e um pouco ansioso, o que é natural. Quebrar a rotina na companhia de amigos, viver novas experiências é sempre entusiasmante. Houve um momento durante a refeição que estive tentado a contar-lhe o sonho que havia tido dias antes, mas não o fiz, se calhar por vê-lo tão animado. Entretanto a conversa tomou outras direcções e, começámos a falar sobre carros – coisa raríssima nas minhas conversas, pois não sou grande apreciador –, porque o pai dele tinha feito um excelente negócio e trouxe da Alemanha um novo carro. De seguida perguntei-lhe:
- “Então, se o teu pai comprou outro carro o que vais fazer com o Renault Clio que está nas Caldas da Rainha?”
- “Sei lá? O carro é do meu pai não é meu. Deve ficar por lá, pode fazer falta quando algum se avariar ou quando forem às revisões.”
- “Olha lá, e tu quando é que trocas de carro?” – Sugeri-lhe.
- “Porque haveria eu de trocar de carro se estou satisfeito com o meu?” – Respondeu-me admirado com a minha sugestão.
- “Então! Tens esse carro há tantos anos, tem um consumo de gasolina desmesurado…”
- “Não consome muito! – Atalhou. “Depende da velocidade com que se anda. O meu pai por exemplo, quando ia a Braga ver a minha avó e levava o carro fazia excelentes consumos.”
- “Está bem, mas o teu pai também não passa dos 100/110 km/h. Além disso repara que o carro não tem ar condicionado, está velhote (BMW – 316 de 1993), e também faz bem mudar.”
- “Hum! Não sei. É verdade que já tem uns aninhos, mas mesmo assim gosto muito do meu BMW.”
- “Por ser BMW?” – Insisti.
- “Não. Não é só por isso, mas gosto do carro pronto!”
- “Tu é que sabes. Mas pensa um pouco, tu agora andas muito mais de carro, deslocas-te com mais frequência, vens mais vezes a Lisboa, e ainda temos o futebol aos Sábados e às Quartas-feiras gastas muito mais dinheiro em gasolina. Porque não vendes o BMW e ficas com o Renault Clio que é muito mais económico?”
- “O quê?! O Renault Clio que está nas Caldas? Tu não estás bom da cabeça! Então achas que alguma vez eu queria aquele carro para?! Aquilo está ali para as voltinhas do meu pai quando vem a Portugal”
-“Sim, mas o teu pai tem agora outro carro…”
§
À noite, já o dia tinha ido repousar e a noite começava a bulir, estava eu ensimesmado nas minhas leituras, quando por volta das 22:30 h toca o telemóvel:
- “Estou.” – Disse eu.
- “Sou eu o Alemão. Tive um acidente.” – Respondeu-me com uma voz sôfrega
- “Um acidente?!”
- “Sim. Tive um acidente de carro.” – Retorquiu.
- “Tiveste um acidente de carro? Mas, estás bem? Como foi isso?” – São as perguntas que normalmente fazemos, quando somos apanhados de surpresa, nunca estamos preparados para receber este tipo de notícias.
- “Sim, eu estou bem, mas o carro é que de certeza vai para a sucata...”
- “Bom, deixa lá o carro, isso agora não importa. O Importante é tu estares bem.” – Atalhei eu, mais preocupado em saber se ele realmente estava bem de saúde, ignorando o estado do carro.
- “Não sei como aconteceu… eu... eu vinha a subir o Monsanto na A5, e, e...perdi o controlo do carro e, e… passei as quatro faixas de rodagem e, e… capotei, e, e… Humm! Shuff! Humm! Shuff …” – Nesta altura o Alemão mais tartamudeava e chorava do que falava.
- “Tem calma. Estás mesmo bem? Não estás ferido? Onde foi o acidente que eu vou já para aí?”
Já passavam das 22:40 h (…)
Ao descer o Monsanto antes da bifurcação que divide os caminhos entre a Ponte 25 Abril / Av. Ceuta / Praça de Espanha e o viaduto Duarte Pacheco avistei do outro lado da auto-estrada o que restava do acidente. Ali estava o BMW vermelho, atravessado no centro das faixas de rodagem de olhar triste e mofino na direcção do separador central, nesta altura os bombeiros já o tinham colocado com as rodas no alcatrão – pois tinha capotado.
O bulício era enorme, bombeiros, ambulância, policia, curiosos, mas apesar do aparato consegui em menos de 10 minutos dar a volta nas Amoreiras e chegar ao local do acidente. Assim que cheguei, fui sofregamente ao encontro do Alemão. Demos um abraço, agora ele já podia desabafar num ombro amigo, chorou o lamento debaixo duma chuva que de miudinha se tornara incessante e colérica. Mas quando as emoções começaram lentamente a repousar, foi necessário tratar da parte burocrática, e iniciou-se o preenchimento das declarações juntamente com a polícia e com a dona dum outro carro sinistrado. Só nesta altura notara que o acidente não fora unicamente um despiste, mas havia também a participação duma outra pessoa, dum outro veículo, sem culpa nenhuma é certo. O BMW já estava nesta altura na berma com os faróis a apontarem na direcção das Amoreiras, dando por findo os trabalhos dos bombeiros. Fui ao seu encontro para ver o seu verdadeiro estado, não queria acreditar no que via, totalmente amolgado, penso mesmo que não havia chapa alguma sem as indeléveis marcas do infortunado despiste – era sucata, ponto final.
Olhava para o carro. Olhava para o Alemão. Mirava o carro. Voltava a olhar para o Alemão via-o na azáfama do preenchimento da papelada, ia para cima vinha para baixo, como foi possível não ter sofrido nenhuma mazela – pensava eu? Com excepção dum corte que fez na mão, mas não foi do acidente, foi quando estava ao telemóvel e tentou desligar o carro, como estava capotado teve de se baixar e fazer um esforço para alcançar as chaves na ignição, como havia vidros espalhados por todos os lados cortou-se, mas foi um pequeno golpe sem importância.
Junto à berma uns 30 metros mais abaixo encostada a um carro preto – Nissan Micra –, estava uma senhora vestida de escuro, baixinha de cabelos negros que contrastava com o rosto lívido, careta assustada de olhar cadavérico e suspenso. Aproximei-me dela e disse:
- “Boa noite. Desculpe a senhora assistiu ao acidente?” – Levantou os olhos grandes e esbugalhados na minha direcção – parecia um fantasma – e respondeu me com uma voz trémula arrastando a sua incredulidade.
- “Não. Sim. Aquele senhor é seu amigo?” – Apontado o dedo na direcção do Alemão.
- “É sim.” – Respondi.
- “Eu ainda não sei bem o que se passou! Eu vinha na estrada, na faixa da direita e, de repente o seu amigo passou por cima de mim!” – Apontou o dedo novamente na direcção do Alemão admirando-se de ele estar vivo.
- “A senhora está-me a dizer que, quando vinha na faixa da direita o meu amigo durante o despiste embateu no seu veículo, certo?” – Observei o carro dela a lateral direita estava intacta, a parte da frente idem, que estranho!
- “Não. O senhor não está a entender. Estou-lhe a dizer que o seu amigo «voou» à minha frente, o carro dele passou por cima do capô do meu, e raspou. Está a entender?” – Logo de seguida o Alemão aproximou-se de nós com a informação de que estava a acabar de preencher a papelada com o pai dela que entretanto chegara.
Depois da papelada devidamente preenchida, chegaram ao local o reboque e o pai do Alemão, o Sr. Francisco que estava em Portugal nessa altura, a desfrutar o sossego das Caldas da Rainha. Ainda assistimos à colocação do malogrado BMW vermelho no camião de reboque para uma despedida lúgubre e triste e, vimo-lo afastar-se por entre a chuva que teimava em não dar tréguas. Apesar do inusitado acidente tudo não passou de um valente susto e prodigiosamente o Alemão nem uma escoriação física sofreu.
Moral da história: apesar de ser agnóstico até posso admitir que sonhar com morte de alguém seja um sinal de vida, mas uma coisa é certa; nunca mais aconselho ninguém a trocar de carro.

PS – Meu amigo, afinal sempre trocaste de carro, e ficaste com o Renault Clio, deixa lá, é mais económico (Abraço).

Absque sanitate nemo felix - Sem saúde, ninguém é feliz.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Fora de Horas – Roteiro de Sintra

Apesar de esta crónica ter sido escrita em 2005, decidi inclui-la neste blogue por ser a primeira que escrevi. Uma rubrica denominada “Fora de Horas”, da revista “Boom” do grupo SonaeCom.

«Pois é, o verão chegou, e este ciclo da natureza vem de mão dada com as noites quentes e as brisas do sul, que alegria de ser português e viver em Portugal.
Para quem ainda não está de férias ou não foi para fora deixo o caminho aberto para uma «viagem no tempo» até à Vila e Serra de Sintra situada a 30 quilómetros de Lisboa. Classificada pela UNESCO como património mundial desde 1995, é sem dúvida o reconhecimento internacional desta aliança mágica e encantadora entre a Natureza e a obra humana que faz de Sintra um local único no mundo.
Amantes, escritores, poetas, exploradores, loucos (...), enfim, toda a gente se rende aos encantos de uma vegetação luxuriante, de visões encantadoras, de perfumes mágicos e de um misticismo sempre presente. Passos e passos de encantar, trilhos recheados de surpresas históricas, de valores esquecidos, de velhas histórias e lendas. Para fazer ao ritmo das cantilenas dos mananciais de uma imaginação fértil, onde a vontade de andar estará a par com a vontade de escutar, de cheirar, de sentir e de viver…
Desde a pré-história ao império Romano, Idade Média, passando pelo Iluminismo, Renascimento e História contemporânea podemos encontrar vincos na memória de outrora.
Na vila temos o Palácio Nacional, construído no reinado D. João I e D. Manuel I, onde foi tomada a decisão da conquista de Ceuta, onde foi recebida a notícia da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, onde Luís Vaz Camões terá feito a primeira leitura de «OS Lusíadas» ao rei D Sebastião.
Ao passar a vila em direcção à Serra podemos encontrar a Quinta da Regaleira (esta quinta é enorme, convém levar uma lanterna para ver os labirintos subterrâneos) construída em no século XVII (1697). Passou por vários proprietários até que em 1892 chegou às mãos de António Augusto Carvalho Monteiro com ajuda de Luigi Manini (arquitecto, pintor e cenógrafo de origem italiana, que trabalhou no famoso Scala de Milão e chegou a Portugal em 1876, contratado para trabalhar no Real Teatro de São Carlos).
Parabéns à Fundação Belmiro Azevedo que contribui para algumas obras de restauro, assim como, para a manutenção deste espaço lírico, se quiserem saber mais sobre este belíssimo património mundial terão mesmo de fazer uma visita.
Mais acima da Serra temos o Castelo dos Mouros que é o testemunho de quatro séculos da presença árabe em Sintra, e mais acima temos também o Palácio da Pena que constitui o mais completo e notável exemplar da arquitectura portuguesa do Romantismo.
Existem muitos mais palácios e monumentos que não fiz referência (exemplo disso é o Palácio Monserrate, que esteve fechado mais de meio século e voltou a abrir as portas ao público). Sintra é um bardo de descobertas do passado e do presente.»